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Aniversário | Tema Pic Nic 1 ano da Maria Flor

Comemorar a vida é muito bom, cada momento fica gravado na memória de maneira única e especial, principalmente quando mamãe e papai preparam com todo amor e deixam seu toque ainda mais especial. Tema alegre e divertido, pic-nic ao ar livre para o niver da Maria Flor.  Imagens da Flavia Medeiros @flaviamedeirosfotografia Decoração: @moinhodeventobsb




Mini wedding | A história que mudou a Aimi Flores

Numa manhã ensolarada e realmente bonita, debaixo do pé de flamboyant que existia na chácara dos meus pais, enquanto eu estava pensativa e orando, buscando um rumo para que o negócio que meu pai iniciou desse certo.

Estava saindo de uma vida rodeada de computadores para trabalhar com meu pai e com flores.

Aconteceu em 2006. 13 anos atrás.

Estava recomeçando tudo de novo.

Tá certo que eu sempre tive uma queda natural por flores.

Era meu presente preferido para a mãe, amigas, professoras, nossa babá...

Mas trabalhar com elas era bem diferente de só entrar na floricultura e comprar o arranjo (agora sei que se chama assim).

E foi realmente desafiador.

Comecei literalmente com 2 baldes de girassol (meu pai as plantava) e 1 balde de 1 pacote de crisântemo (que o amigo do meu pai plantava). Dentro de um box na Central Flores que é um entreposto de venda de flores e onde fica a Aimi Flores.

Mas de cara percebi a enorme diferença. Enquanto eu vendia 1 pacote de girassol, o meu colega do lado que tinha gérberas, rosas e outras flores vendia "caminhões". Exageros à parte, era quase isso na minha percepção. Ou seja, o negócio que meu pai comprou e iniciou em 2002 não se paga.

E em 2006, depois de meu pai plantar e tentar vender seus girassóis orgânicos por 4 anos, o que eu podia fazer?  Meu pai só falou pra mim, tenta. Você vai encontrar um jeito.

Oh meu Deus! Não queria decepcionar meu pai. Mas não tinha ideia do que fazer.

Tentei até fazer uns cursos, já que meu produto não vendia na época, para fazer arranjos florais com girassóis. Mas os workshops e cursos eram muito longe da minha realidade.

Vinha um grande artista floral, demonstrar um monte de arranjos escandalosamente lindos, muito bonitos de se ver, até me motivava no início, mas não era muito prático e comercialmente viável.

Até tentei praticar e fiz alguns arranjos para vender. E melhorou um pouco. Mas continuou inviável. Eu tinha que ter um diferencial.

Então, naquele dia ensolarado, debaixo do flamboyant, eu realmente abri meu coração a Deus e pedi uma resposta.

Finalmente tive um tremendo insight. Sério, estava para desistir de tudo. Achei que não tinha o mínimo talento. Afinal, não sou daquelas pessoas que nascem com um dom criativo para fazer as coisas. Muitas vezes, sentia-me frustrada ou um peixe fora dágua. A gota dágua foi quando fui reprovada na prova da Abaf (Academia Brasileira de Arte Floral), pensei que era o fim da minha carreira floral.

Mas foi na verdade o começo.

Minha mãe gosta muito de assistir um programa japonês que mostra histórias de japoneses que tentaram seguir sua vida com suas experiências em países fora do Japão. Não me lembro muito os detalhes da reportagem, o programa já havia começado e minha mãe viu no anúncio que era sobre uma mulher que resolveu ser florista num país totalmente desértico, no Marrocos (se não me falha a memória).

Ela insistiu para que eu fosse até lá e visse a reportagem. Eu estava lá fora, enquanto fazia minha oração, ela insistiu tanto que eu tive que parar tudo e entrar para assistir.

Resumidamente, a mulher, que vou chamá-la de Yuuki - significa Coragem (não me lembro o nome dela de jeito nenhum) estava frustrada com seu trabalho de funcionária pública no Japão e falou com seu pai. Seu pai então falou pra ela buscar algo que ela gostasse de fazer e pudesse trabalhar com isso. "Até vender bananas é um trabalho. Basta você gostar do que faz".

Yuuki resolveu então buscar algo que realmente a fizesse feliz. Entre várias pesquisas ela decidiu ser florista. Juntou todas as suas economias, fez os cursos e foi para o Marrocos abrir a sua floricultura. Mas peraí? Lá não tem flores. É um país desértico. Imagina o desafio! (Eu inclusive pensei, ela é muito corajosa!)

Todas as semanas, as flores importadas que vinham de avião eram transportadas até o aeroporto, alguém levava até a rodoviária e enviava para a Yuuki que ia buscar de bicicleta na estação rodoviária da cidade onde ela morava e tinha a floricultura.

Ela fazia alguns ramalhetes, como os que já vi centenas de vezes nas vitrenes das floriculturas tradicionais. E não vendia nada. Além do deserto, as pessoas não tinham o hábito de presentear as pessoas com flores naquele país.

Seis meses se passaram. Suas reservas estavam no fim e ela já não estava tão certa de suas escolhas. Talvez fosse melhor desistir mesmo.

Então um dia, Yuuki pensativa e sem saber o que fazer agora, foi até o rio. Ela conta que viu algumas flores tipo um "matinho" lá da região, pareciam ser bem resistentes e comuns. Ela as colheu e levou para a loja. Estudou a cultura e os hábitos daquele povo. Entendeu que tinha que mudar a forma de apresentar suas flores.

Ela então criou os mini bouquets.

Um mix de flores (as rosas importadas, com as flores que ela colhia no rio, hortelã, alecrim e outras plantas que a cultura considerava na culinária e no dia-a-dia deles).

Mudou a embalagem e a mensagem em sua vitrine. E deu certo. As pessoas começaram a entrar em sua loja e começou a vender. Receber muitas encomendas. Ela se especializou em mini eventos.

Então, inspirada pela Yuuki, também inventei o mini bouquet de mix de flores com os girassóis, flores do campo e, nessa mesma época, começavam a surgir os primeiros casamentos em locais rústicos.

O meu primeiro casamento foi no Empório do Vale, depois foram surgindo os outros, no Empório da Mata, no Farol do Cerrado, no Green Park, que ficaram conhecidos pela paisagem bucólica rústica e o cenário para uma cerimônia ao ar livre.